Aguenta coração, estamos a tentar conter-te dentro da caixa, mas não está fácil! Já lá vão umas semanas… quer dizer, parece muito tempo, mas na verdade, noutra situação, num ápice lá chegaríamos! “Nesse tempo”, com o mundo na palma das mãos, a incerteza era apenas o que escolher e fazíamos o que bem queríamos com o nosso querer. Pelo menos assim gostávamos de pensar e com um empurrãozinho lá chegaríamos.Sem quase dar por isso, ou pelo menos optar por isso, o mundo deu mil voltas e continua a rodar. Certezas? Poucas ou nenhumas, apenas que irá continuar a girar. Questionamos como foi possível ocupar tanto tempo com coisas mínimas, em não termos feito mais e melhor, em ter deixado outras tantas por resolver.
Olhamos agora à nossa volta, reparamos em pormenores que nos passavam ao lado, vemos de outra perspetiva, mais despertos para o que está a acontecer no mundo, no meu e no dos outros. Mais preocupados é certo, mas também mais certos que o mundo está mais sensível, mais humano, mais unido e solidário. Da nossa janela conseguimos perceber essas mudanças, não sabemos bem explicar. Algo se passa, mesmo no confinamento das quatro paredes. Identificamo-nos, colocamo-nos do outro lado, sentimos compaixão e vontade de ajudar, mesmo não sabendo muito bem como. Talvez o amor das pessoas esteja mais à-mão de semear do que há umas semanas atrás. Vindo sabe-se lá bem de onde, está mais acessível e maior. Renascido. Pronto para ser usado, reconfortado e abraçado.
Imaginamos como juntos podemos fazer a diferença e que as palavras têm mais significado do que anteriormente tinham. Daqui, da minha janela, vejo outras janelas! Vejo melhor as cores. Vejo melhor como estas refletem nelas.
Samuel Branco
PsicólogoFaça aqui o download do documento